Inspeção sanitária em caça maior

Data
2016
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Resumo
A sanidade da fauna selvagem é uma preocupação crescente devido à sua importância na saúde pública, na saúde animal, no ambiente e na conservação das espécies selvagens. A caça devidamente regulada é um bom instrumento que pode ser usado em prol da conservação, mas também uma mais valia para o conhecimento e controlo das doenças das espécies cinegéticas, sendo para tal necessária uma maior intervenção do médico veterinário no setor. O consumo de carne de caça tem vindo a aumentar a nível europeu, por esse motivo, é essencial averiguar o estado sanitário dos animais abatidos, com especial atenção aos agentes zoonóticos. Atualmente mais de 90% do território português está ordenado para caça, sendo que a atividade cinegética tem assumido um papel importante na economia de algumas regiões do país. A área de estudo deste trabalho, Idanha-a-Nova, é um dos concelhos mais representativos dessa importância. Durante a época venatória 2015/2016, acompanhou-se os procedimentos do veterinário oficial no âmbito da avaliação sanitária de caça maior, em 14 zonas de caça. Os objetivos deste trabalho consistiram essencialmente no estudo das principais causas de rejeição de caça maior no âmbito das montarias e das miíases nasofaríngeas em veados. Foram presentes à avaliação sanitária um total de 1171 animais caçados, incluindo maioritariamente veados (Cervus elaphus) e javalis (Sus scrofa), mas também gamos (Dama dama) e muflões (Ovis ammon). Rejeitaram-se 126 carcaças (10,76%), sendo que a principal causa de rejeição foram as lesões compatíveis com tuberculose. Os restantes casos foram rejeitados por caquexia, mordeduras excessivas ou por ausência de vísceras no momento da avaliação sanitária. Relativamente ao estudo das miíases nasofaríngeas em veados, algo que ainda não tinha sido feito em Portugal, verificou-se que a prevalência de infestação com um intervalo de confiança de 95% foi de 50,6 ± 7,61% (n=166). A intensidade média de parasitismo e respetivo desvio padrão foi de 11,38 ± 10,47 larvas por hospedeiro afetado. Esta parasitose consiste na infestação da nasofaringe do hospedeiro por larvas de dípteros, sendo que no caso do veado pode ocorrer por duas espécies, Pharyngomyia picta e Cephenemyia auribarbis. Ambas as espécies foram encontradas neste estudo, sendo que a prevalência de P. picta foi significativamente superior à de C. auribarbis. Nos 84 indivíduos afetados encontraram-se 21 infeções concomitantes, e os machos apresentaram uma prevalência superior relativamente às fêmeas. Apesar de não ter sido o principal objetivo deste estudo, conseguimos ainda avaliar alguns efeitos que esta parasitose pode provocar no hospedeiro. Pelas imagens de tomografia computorizada verificou-se o potencial obstrutivo das larvas ao nível da nasofaringe, e pela análise histopatológica os seus efeitos ao nível da mucosa do hospedeiro (erosões, ulcerações e presença de infiltrado inflamatório). As larvas L2 e L3 destes parasitas parecem ter uma predisposição para se alojarem ao nível dos recessos retrofaríngeos e a capacidade de os dilatar, formando umas bolsas ao nível da nasofaringe. É necessário recolher mais dados para avaliar com maior acuidade a prevalência, distribuição geográfica e os efeitos desta parasitose na população de veados.
The health of wildlife is a growing concern because of its importance in public health, animal health, environment and wildlife conservation. Properly regulated hunting is a good tool that can be used for conservation purposes, but also an added value for the knowledge and control of game species’s diseases, requiring greater intervention by the veterinarian in the sector. The consumption of game meat has been increasing in Europe, so it is essential to check the health’s state of slaughtered animals, with particular attention to zoonotic agents. Currently, more than 90% of portuguese territory is ordered for hunting, and hunting activity has assumed an important role in the economy of some regions of the country. The study area of this work, Idanha-a-Nova, is one of the most representative counties of this importance. During the hunting season 2015/2016, the procedures of the official veterinarian were followed in the context of the sanitary evaluation of big game hunting, and it took place in 14 hunting areas. The objectives of this work were essentially to study the main causes of rejection of larger game hunting and nasopharyngeal myiasis in red deer. A total of 1171 hunted animals were present to veterinary evaluation, including mostly red deer (Cervus elaphus) and wild boar (Sus scrofa), but also fallow deer (Dama dama) and mouflons (Ovis ammon). A total of 126 carcases (10.76%) were rejected, and the main cause of rejection were tuberculosis-compatible lesions. The remaining cases were rejected due to cachexia, excessive bite or lack of viscera at the time of the sanitary evaluation. In relation to the study of nasopharyngeal myiasis in deer, something that had not been done in Portugal before, it was verified that the prevalence of infestation with a 95% confidence interval was 50.6 ± 7.61% (n = 166). The mean intensity of parasitism and its standard deviation was 11.38 ± 10.47 larvae per affected host. This parasitosis consists on the infestation of the nasopharynx’s host by diptera larvae, and in the case of the red deer can occur by two species, Pharyngomyia picta and Cephenemyia auribarbis. Both species were found in this study, and the prevalence of P. picta was significantly higher than it was for C. auribarbis. In the 84 affected individuals, 21 concomitant infections were found, and males had a higher prevalence relative to females. Although it was not the main objective of this study, we also were able to evaluate some effects that this parasitose can provoke in the host. Computed tomography images revealed the obstructive potential of the larvae at the nasopharynx’s level, and histopathological analysis showed their effects on the mucosa of the host (erosions, ulcerations and presence of inflammatory infiltrate). L2 and L3 larvae of these parasites appear to have a predisposition to lodge at the level of the retropharyngeal recesses and the capacity to distend them, forming pockets at the nasopharynx. More data are needed to more accurately assess the prevalence, geographic distribution, and effects of this parasite on the deer population.
Descrição
Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária
Palavras-chave
Animal de caça (veado, javali) , Concelho de Idanha-a-Nova (Distrito de Castelo Branco, Portugal) , Inspeção sanitária , Nasofaringe , Miíase , Tuberculose , Cephenemyia , Pharyngomyia picta
Citação