Ensino Superior e mercado de trabalho em Portugal: direções comuns ou opostas?

Data
2020-09
Autores
Correia, Leonida Amaral Tomas
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Resumo
O combate ao desemprego está cada vez mais presente nas agendas políticas, justificando medidas específicas que estimulem a entrada dos indivíduos no mercado laboral. O acesso ao emprego é uma das vias mais eficientes para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e para atenuar as diferenças de desenvolvimento entre as regiões. Assim, melhorar o acesso à educação e formação de qualidade é essencial para promover a empregabilidade e é um dos instrumentos mais poderosos para valorizar o capital humano e contribuir para o desenvolvimento das regiões. Neste contexto, a luta contra o desemprego dos diplomados pressiona o sistema de ensino superior a garantir um melhor ajustamento ao mercado de trabalho, já que, com frequência, se questiona a relevância e a oportunidade da sua oferta educativa e, mais especificamente, a empregabilidade que esta garante. Com o objetivo de analisar esta questão, foi efetuado um estudo empírico para Portugal que relaciona a oferta educativa das Instituições de Ensino Superior com a procura de qualificações pelo mercado de trabalho, por área de educação e formação e por área geográfica, ao nível de NUTS II. O estudo baseou-se na recolha de dados secundários, considerando as ofertas de emprego registadas junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional e o número de diplomados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no período 2003-2018. Depois de compatibilizar as categorias profissionais das ofertas de emprego com as áreas de educação e formação, os resultados mostram que parece haver um ajustamento entre a formação dos diplomados e as necessidades do mercado de trabalho, com ênfase nas áreas de “ciências sociais, comércio e direito”, "engenharia, indústrias transformadoras e construção" e "saúde e proteção social", que refletem a prevalência do setor de serviços na economia portuguesa. No entanto, a um nível mais desagregado, existe um aparente desajustamento nas subáreas de “formação de professores/formadores e ciências da educação” e “informática”, uma vez que os diplomados e o mercado de trabalho seguem em direções opostas. Este comportamento também regista diferenças nas várias regiões. Em suma, estas são áreas de educação e formação que deverão merecer especial atenção por parte da política educativa em Portugal no sentido de melhorar a empregabilidade e a qualidade de vida nas diversas regiões.
Descrição
Palavras-chave
desenvolvimento regional , ensino superior , emprego , mercado de trabalho , oferta educativa
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