Influência das coberturas vegetais na proteína do solo e na performance fisiológica da oliveira e da videira

Data
2022-04-20
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Resumo
A oliveira (Olea europaea L.) e a videira (Vitis vinifera L.) são culturas típicas da região Mediterrânica e duas das principais culturas em Portugal, com grande peso na economia do país. Portugal tem um clima tipicamente Mediterrânico, caracterizado por verões quentes e secos e muito suscetível às alterações climáticas. De fato, uma das principais limitações para a agricultura nesta região é a baixa disponibilidade hídrica, com tendência a acentuar-se no futuro devido às previsões de redução da precipitação e ao aumento da temperatura. Desta forma, é importante trabalhar no desenvolvimento e na implementação de estratégias que permitam, não só melhorar a gestão dos recursos naturais em ambientes de baixa disponibilidade hídrica, mas também aumentar a competitividade destes setores, sendo as práticas de gestão do solo adotadas decisivas para atingir tais objetivos. Neste sentido, foram desenvolvidos dois ensaios, um em olival, na Terra Quente Transmontana, e outro em vinha, na Região Demarcada do Douro. O objetivo do primeiro ensaio, em oliveira, foi avaliar o impacto do uso de coberturas vegetais, controladas com recurso ao uso de pastoreio e de glifosato (herbicida pós-emergência), face à mobilização do solo, prática tradicional. Comparativamente à mobilização tradicional, a aplicação de glifosato favoreceu as respostas fisiológicas da oliveira (condutância estomática e fotossíntese) e o indicador de qualidade do solo, proteínas do solo relacionada à glomalina, o pastoreio favoreceu a qualidade do azeite (menores índices de peróxidos e índices espetrofotmétricos K232 e K270), ao passo que ambos os sistemas de gestão do solo contribuíram para aumentos de produtividade. O segundo ensaio, em vinha, teve como objetivo avaliar o impacto do uso de diferentes tipos de coberturas vegetais, vegetação natural e leguminosas semeadas, terminadas de forma mecânica e deixadas como mulching durante o período estival no solo, em comparação com a tradicional prática de mobilização. Neste estudo tanto o uso de vegetação natural como de leguminosas potenciaram a performance fisiológica (maior condutância estomática e taxa de fotossíntese líquida e menor dissipação de energia na forma térmica) e a produtividade das videiras, qualidade do mosto (aumento do grau Brix e do teor de álcool provável, diminuição do pH e aumento da concentração de fenóis e antocianinas) e a saúde do solo (proteínas do solo relacionada à glomalina). De salientar ainda o efeito do uso de leguminosas no crescimento vegetativo das videiras e nos teores de azoto facilmente assimilável pelas leveduras no mosto. Assim, estes trabalhos vêm demonstrar a importância do uso de coberturas vegetais nos agrossistemas Mediterrânicos, se associadas a um controlo eficiente e atempado das mesmas, o que vai limitar a competitividade destas plantas com a cultura principal.
Olive tree (Olea europaea L.) and grapevine (Vitis vinifera L.) are typical crops of the Mediterranean region and two of the main crops in Portugal, with great influence in the country’s economy. Portugal has a typically Mediterranean climate, characterized by hot and dry summers and very susceptible to climate change. One of the main limitations for agriculture in this region is the low water availability, with a tendency to increase in the future, due to the forecasts of reduced precipitation and increased temperature. Thus, it is important to work on the development and implementation of strategies that allow not only to improve the management of natural resources in environments of low water availability, but also to increase the competitiveness of these sectors, being the soil management practices adopted decisive to achieve such goals. In this sense, two trials were carried out, one in olive groves, in Terra Quente Transmontana, and the other in vineyards, in the Douro Demarcated Region. The objective of the first trial, in olive tree, was to evaluate the impact of cover crops use, controlled by grazing and glyphosate (postemergence herbicide), against the traditional soil tillage practice. Compared to soil tillage, the control with glyphosate favored the olive trees physiological responses (stomatal conductance and net photosynthesis) and the soil quality indicator, glomalin-related soil proteins, the grazing control, favored the olive oil quality (lower peroxide index and K232 and K270 indices), while both soil management systems contributed to higher crop yield. The second trial, in grapevine, aimed to evaluate the impact of using different types of cover crops, natural vegetation and self-reseeding annual legumes, mechanically terminated and left in the soil as mulching during the summer period, in comparison with the traditional tillage practice. Both natural vegetation and legumes improved the grapevine physiological performance (higher stomatal conductance and net photosynthetic rates and lower thermal energy dissipation), productivity, must quality (Brix degree and probable alcohol increase, pH decrease and phenols and anthocyanins concentration increase) and the soil health indicator, glomalin-related soil proteins. The effect of the use of legumes on the grapevines vegetative growth is also noteworthy, as well as level of must yest-assimilable nitrogen. Thus, these works demonstrate the importance of using cover crops in Mediterranean agrosystems, if associated with efficient and timely control, which will limit the competitiveness of those plants with the main crop.
Descrição
Dissertação em Engenharia Agronómica
Palavras-chave
Cobertura vegetal , herbicida
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