Aspetos psicológicos e psicofisiológicos influenciadores da qualidade da interação mãe/pai-bebé

Data
2015
Título da revista
ISSN da revista
Título do Volume
Editora
Projetos de investigação
Unidades organizacionais
Fascículo
Resumo
A relação entre o bebé e os pais é a primeira e a mais importante de todas as interações interpessoais do ser humano. É através dos vínculos emocionais que nela se estabelecem que os indivíduos se desenvolvem de forma adaptativa, social e emocional. Quando os pais respondem de forma sensível aos sinais transmitidos pelos seus filhos, estes integram estilos de interação e de adaptação baseados na vinculação segura; que lhes permite desenvolverem-se de forma saudável. Quando tal não se verifica e o padrão de interação dos pais é pouco sensível às necessidades das crianças, o desenvolvimento infantil desenrola-se baseado em estilos de vinculação insegura e evitante, que se traduz, muitas vezes, em problemas do desenvolvimento, inadequação comportamental e perturbações ao nível da saúde mental a longo prazo nos filhos. A vinculação na criança ao adulto, contudo, encontra-se largamente estudada; pelo que a investigação deve dar primazia a estudos que objetivem compreender melhor a vinculação dos pais à criança. Neste sentido, a presente dissertação pretende explorar os influentes psicológicos e psicofisiológicos, responsáveis pelo comportamento dos pais e, consequentemente, pela qualidade do padrão de interação e dos cuidados que estes estabelecem com os seus filhos. Assim o primeiro artigo teve como principal objetivo descrever os padrões de interação mãe/pai-bebé e verificar se estes variam de acordo com os níveis de sintomatologia depressiva e/ou ansiosa clinicamente significativa. Os resultados demonstraram que a sintomatologia clinicamente significativa dos pais traduz efeitos a longo prazo na qualidade de interação com os filhos, mesmo não se tendo estes refletido imediatamente. O segundo artigo objetivou a descrição das respostas de frequência cardíaca, da arritmia sinusal respiratória e do nível de condutância da pele das mães e dos pais durante a interação com os seus filhos segundo o protocolo Face-To-Face Still- Face. Os resultados permitiram verificar a existência de um padrão fisiológico, consistente com a revisão da literatura. As mães, no entanto, apresentaram níveis significativamente superiores de reatividade fisiológica do que os pais. Ambos apresentaram diferenças ao nível da resposta fisiológica relativamente ao sexo do filho. Tais resultados salientam; não só a necessidade de delinear intervenções ao nível da saúde perinatal tendo como consideração as influências da sintomatologia psicológica clinicamente significativa na qualidade das interações pais-bebé; mas também a necessidade de alargar a investigação à forma como as respostas fisiológicas interferem nos estilos parentais.
Descrição
Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica
Palavras-chave
Psicopatologia , Psicofisiologia , Qualidade de interação pais-bebé
Citação