Biossegurança em cuniculturas e sua relação com a ocorrência de patologias do foro digestivo compatíveis com etiologia infeciosa

Data
2021-01-10
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Resumo
O setor da cunicultura, em Portugal, tem-se afirmado no panorama da produção animal, principalmente a partir do século XXI. Este crescimento e desenvolvimento foram possíveis, em parte, devido ao acompanhamento das inovações que foram ocorrendo nos outros países da União Europeia, nomeadamente a modernização das instalações e dos equipamentos e a adoção de novas práticas de maneio. Todavia, a atualização e adoção de planos de biossegurança cada vez mais completos e adaptados às diferentes explorações tem contribuído significativamente para a redução da taxa de mortalidade do efetivo, para o aumento do estatuto sanitário e condições de bem-estar das cuniculturas e para uma maior rentabilidade das mesmas. Durante o período de setembro de 2020 a maio de 2021 e acompanhado pelo Dr. José Manuel Monteiro, foi-me permitido observar de perto o funcionamento de várias explorações de coelhos. Para fins académicos, foram realizados inquéritos sobre biossegurança e analisados relatórios dos diagnósticos anatomopatológicos. Este trabalho teve como principal objetivo avaliar as condições de biossegurança das explorações visitadas e a sua relação com a ocorrência de patologias do foro digestivo compatíveis com etiologia infeciosa. Nas explorações abordadas, a média de ocorrência de enterotoxemia foi a mais elevada (28,8%), com um desvio-padrão de 22,2%, seguida da média de ocorrência de colibacilose (23,9%), com um desvio-padrão de 26,2%, e de enterocolite epizoótica (22,9%), cujo desvio-padrão é de 19,6%. Com médias de ocorrência inferiores, surgem a enterotiflite (13,2%), desvio-padrão de 13,9%, e a disbiose (12,8%), desvio-padrão de 20,9%. Neste estudo destaca-se a associação entre as explorações terem ventilação controlada (p=0,034), assim como terem pedilúvios entre zona suja e limpa (p=0,020), e apresentarem valores de colibacilose inferior à média. Evidencia-se a associação entre as explorações terem medidas específicas de higiene ao contactar com animais em quarentena (p=0,036), tal como explorações em que usavam calçado da exploração (p=0,009), e apresentaram valores de ocorrência de enterocolite epizoótica inferior à média. Realça-se, também, a associação entre as explorações em que havia divisão no balneário entre zona suja e zona limpa (p=0,002), assim como racionamento alimentar (p=0,017), e apresentaram valores de enterotoxemia inferiores à média. Os resultados obtidos sugerem que se deve investir na biossegurança, com vista a obter melhores parâmetros produtivos e económicos e não comprometer a saúde pública e a saúde dos animais.
The rabbit farming sector in Portugal has asserted itself in the panorama of animal production, especially since the 21st century. This growth and development were possible, in part, thanks to the monitoring of innovations that took place in other countries of the European Union, namely the modernization of facilities and equipment and the adoption of new management practices. However, the updating and adoption of increasingly complete biosecurity plans adapted to different farms has significantly contributed to the reduction of the herd mortality rate, to the increase in the sanitary status and welfare conditions of rabbits and to a greater profitability of them. During the period from September 2020 to May 2021 and accompanied by Dr. José Manuel Monteiro, I was allowed to closely observe the functioning of several rabbit farms. For academic purposes, an epidemiological survey about biosecurity was applied and reports of pathological diagnoses were analyzed. The main objective of this work was to evaluate the biosecurity conditions of the farms visited and their relationship with the occurrence of digestive pathologies compatible with infectious etiology. In the studied farms, the average occurrence of enterotoxemia was the highest (28.8%), with a stantard deviation of 22.2%, followed by the average occurrence of colibacillosis (23.9%), with a standard deviation of 26.2%, and epizootic enterocolitis (22.9%), whose standard deviation is 19.6%. The lower average occurrence was typhlocolitis (13.2%), with a standard deviation of 13.9%, and dysbiosis (12.8%), with a standar deviation of 20.9%. In this study, the association between the facilities that control ventilation (p=0.034), as well as the presence of footbaths between a dirty and clean area (p=0.020), and the presence of colibacillosis values below the mean is highlighted. It is evident the association between the farms having specific hygiene measures when contacting animals in quarantine (p=0.036), as well as farms in which they wore footwear from the farm (p=0.009), and the occurrence of epizootic enterocolitis lower than the average. Also noteworthy is the association between farms where there was division in the shower room between dirty and clean areas (p=0.002), as well as food rationing (p=0.017), and presented enterotoxemia values below the average. The results obtained suggest that farmers should bet and invest in biosecurity, so they can get better productive and economic parameters and not compromising public health and animal health.
Descrição
Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária
Palavras-chave
Biossegurança , cunicultura
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