Efeitos da doença uterina na eficiência reprodutiva de bovinos leiteiros

Data
2018-01-31
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Resumo
O período do pós-parto é um período de grande importância na vida reprodutiva de uma vaca leiteira, em que é bastante comum o desenvolvimento de doença uterina. A função uterina no pós-parto está frequentemente comprometida devido à contaminação bacteriana presente neste período, e pela persistência de microrganismos no lúmen uterino, causando assim doença e consequentemente infertilidade. Esta doença está associada a taxas de conceção mais baixas, aumenta o intervalo desde o parto à primeira inseminação e conceção. Aumenta também a taxa de refugo nas explorações. O desenvolvimento desta doença estará sempre dependente do balanço entre fatores tais como a imunidade do animal, outros fatores intrínsecos, número e patogenicidade dos microrganismos e o próprio ambiente uterino. Sabe-se que cerca de 25-40% dos animais apresentam metrite puerperal nas duas primeiras semanas do pós-parto, sendo que em 20% dos mesmos há persistência da doença para endometrite clínica. Foi objetivo deste trabalho o estudo do efeito da doença uterina na performance reprodutiva de bovinos leiteiros de 11 explorações distintas, na bacia leiteira de Vila do Conde. A recolha de dados compreendeu o ano de partos e período pós-parto de 2015. Para esse efeito usaram-se os seguintes parâmetros: intervalo parto-1ªIA, intervalo parto-conceção, intervalo 1ªIA-IA fecundante, taxa de prenhez e número de IA. Além destes parâmetros foi ainda estudada a relação da doença uterina com outros fatores tais como tamanho da exploração, uso de protocolo de sincronização, tempo decorrido entre parto-observação do animal e número de lactações. Neste estudo verificou-se que a incidência de doença uterina nas explorações foi de 42%. Em relação à sua correlação com os parâmetros reprodutivos mencionados, verificou-se que essa não foi estatisticamente significativa. Apesar deste facto, foram verificadas correlações estatisticamente significativas entre doença uterina e a probabilidade de uma vaca vir a ficar gestante novamente (p <0,001), assim como uma correlação altamente significativa entre a idade ao parto e a ocorrência de metrite, sendo que as vacas mais velhas tinham uma maior probabilidade de vir a ter a doença (p <0,001). Além da correlação entre doença uterina e os parâmetros reprodutivos estudados, foram ainda estudadas correlações entre outros parâmetros, como o caso da correlação da idade ao parto e tamanho da exploração (p <0,010). Ou seja explorações mais pequenas apresentam animais mais velhos a parir, este facto dá-nos informação sobre o tipo de maneio que está a ser feito nessas mesmas explorações, sendo que presumivelmente os animais são refugados mais tarde.
The postpartum period has a great importance in the reproductive life of a dairy cow, in which the development of uterine disease is quite common. The postpartum uterine function is frequently compromised due to bacterial contamination at this time, and by the persistence of microorganisms in the uterine lumen, thus causing disease and consequently infertility. This disease is associated with lower conception rates, increases the interval from calving to first insemination and conception. It also increases the culling rate of dairy farms. The development of this disease will always depend on the balance between factors, such as the animals’ immunity, other intrinsic features, number and pathogenicity of the microorganisms and the uterine environment itself. It is known that about 25-40% of the animals present puerperal metritis in the first two weeks of postpartum, and in 20% of them there is persistence of the disease for clinical endometritis. The objective of this work was to study the effect of uterine disease on the reproductive performance of dairy cattle from 11 distinct farms in Vila do Conde. Data collection includes the year of calving and the postpartum period of 2015. For this purpose, the following parameters were used: interval from calving to first insemination service, interval from calving to conception, interval from first service to conception, pregnancy rate and AI number. Besides the parameters stated above, other factors were studied regarding the relation of uterine disease on other parameters, such as size of the farm, use of synchronization protocols, time between calving and observation of the animal and age. In this study, the incidence of uterine disease in the dairy farms was 42%. The relation of the uterine disease with the reproductive parameters, was not statistically significant in this case. Despite of this fact, statistically significant correlations were verified between uterine disease and the likelihood of a cow becoming pregnant again (p<0.001), as well as a statistically significant correlation between the age at calving and the occurrence of metritis, with older cows being more likely to have the disease (p <0.001). In addition to the correlation between uterine disease and the reproductive parameters studied, other correlations were also studied among other parameters, like the statistically significant correlation between age at calving and size of the farm (p <0.010). In other words, smaller farms present older animals calving, this fact gives us information about the husbandry being done in these farms.
Descrição
Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária
Palavras-chave
Vaca leiteira , Doença uterina , Período pós-parto , Infecções bacterianas , Desempenho reprodutivo
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