Modus operandi de jovens agressores sexuais: implicações para a avaliação e intervenção clínica

Data
2017
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Resumo
As agressões sexuais cometidas por jovens são ainda um tema alvo de controvérsias, sendo muitas vezes um tipo de violência desconhecido da sociedade, pois a maior parte dos estudos acerca desta temática tende a focar-se na população adulta. Dado que a adolescência apresenta características, necessidades e problemas específicos que a diferenciam da infância e da fase adulta, é fundamental a deteção, intervenção e promoção de fatores de proteção para reduzir este tipo de violência e o seu impacto negativo no desenvolvimento. Esta investigação teve como objetivo compreender os comportamentos que agressores sexuais exibem, tendo sido estudado o modus operandi, incluindo uma série de estratégias utilizadas por estes jovens para chegarem ao contacto sexual com a vítima. A recolha de dados foi efetuada em instituições sob a alçada da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, mais especificamente em centros educativos, estabelecimentos prisionais e equipas tutelares educativas. A amostra encontra-se dividida em dois grupos: jovens agressores sexuais (n=142) e jovens agressores não sexuais (n=130). Os resultados obtidos na análise desta amostra, nas dimensões demográficas, clínicas e de modus operandi criminal, permitiram um esclarecimento sobre algumas das suas especificidades e, em concreto, verificar a existência de algumas diferenças significativas num conjunto de dimensões entre estes dois grupos de agressores, nomeadamente ao nível do estatuto socioeconómico, dos aspetos como a marginalidade, toxicodependência e delinquência, escolaridade, capacidade de resolução de problemas, criminalidade prévia, uso de armas para cometer o crime, agressões físicas á vítima, entre outros aspetos, acabando por se verificar que foram os jovens agressores não sexuais aqueles que demonstraram uma situação mais negativa em quase todas as variáveis analisadas quando comparados com os jovens agressores sexuais.
The sexual assaults committed by young people are still the object of controversy, it is still an unknown type of violence for society because most of the studies on this subject focuses on the adult population. Given that Adolescence has some characteristics, specific needs and problems which differentiate it from childhood and adulthood. It is crucial the detection, intervention and promotion of protective factors to reduce this type of violence and its negative impact on development. This research intended to understand the behaviors that young sex offenders show by studying the operandi modus, including a number of strategies that these young people use to reach sexual contact with the victim. Data collection was carried out in institutions under the purview of the General Direction of Reintegration of Correctional Services and, more specifically in educational centers, jails and educational tutelary teams. The sample is divided into two groups: young sex offenders (n = 142) and young people who are not sex offenders (n = 130). The results of the analysis of this sample, the demographic, clinical and criminal operandi modus dimensions, allowed a clarification of some of their specificities and in concrete to verify the existence of some significant differences in a set of dimensions of these two groups of offenders, in particular at the level of socio-economic status, aspects such as marginalization, drugs addiction and delinquency, schooling, problem-solving ability, prior criminality, use of weapons to commit crime, physical aggression towards the victim, among other aspects, and it turned out that it was the young non-sexual aggressors who showed to be in a more negative situation in almost all the analyzed variables when compared with the young sexual aggressors.
Descrição
Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica
Palavras-chave
Delinquência juvenil , Violência sexual , Jovens agressores
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