Sintomatologia depressiva em estudantes do segundo ano do ensino superior e dificuldades de adaptação: Que fatores protetores?

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O presente estudo teve como objetivo principal avaliar a percentagem de estudantes do segundo ano do ensino superior com elevada sintomatologia depressiva. Pretende-se averiguar se existe uma relação entre a sintomatologia depressiva e a adaptação ao Ensino Superior e, por fim, se há diferenças na sintomatologia depressiva em função do género. Participaram neste estudo 331 estudantes do 2º ano do 1º ciclo provenientes de uma universidade do Norte de Portugal, sendo 250 (75,5%) do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 18 e os 46 anos (M= 20,12; DP= 3,15). Para a medição das variáveis em estudo, foi utilizado um questionário sociodemográfico, o BSI-18 (Brief Symptoms Inventory), validado em Portugal por Canavarro e colaboradores (2017) e o Questionário de Adaptação ao Ensino Superior (QAES), construído e validado por Araújo e colaboradores (2014). Os resultados deste estudo indicam que 36,3% dos estudantes do 2º ano pode apresentar sintomatologia psicopatológica. Relativamente à dimensão Depressão, 37,2% da amostra pode apresentar sintomatologia depressiva e 2,8% sintomatologia depressiva grave. Relativamente à dimensão Ansiedade, 37% da amostra pode apresentar sintomatologia ansiosa e 2,4% sintomatologia ansiosa grave. Foram encontradas correlações negativas estatisticamente significativas entre a dimensão Depressão e a Adaptação à instituição, Adaptação Social, Adaptação Académica e Desenvolvimento de Carreira e correlações positivas entre a dimensão Depressão e a Adaptação Pessoal-Emocional, uma vez que, nesta dimensão da QAES, quanto mais elevada a pontuação, mais dificuldades têm os estudantes. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre sexos na dimensão Ansiedade e Somatização, o sexo feminino com médias mais elevadas, mas não na dimensão Depressão.
The main objective of this study was to assess the prevalence of depressive symptoms in second-year higher education students. It is intended to investigate if there is a relationship between depressive symptoms and adaptation to Higher Education and, finally, if there are differences in depressive symptoms between female and male students. A total of 331 students from the 2nd year of the 1st cycle from a university in the North of Portugal participated in this study, 250 (75.5%) were female and 81 (24.5%) were male, aged between 18 and the 46 years old (M=20.12, SD=3.15). To assess the variables under study, a sociodemographic questionnaire, the BSI-18 (Brief Symptoms Inventory), validated in Portugal by Canavarro et al. (2017) and the Higher Education Adaptation Questionnaire (QAES), developed and validated by Araújo et al. (2014). The results of this study indicate that 36.3% of the 2nd year students may have psychopathological symptoms. Regarding the Depression dimension, 37.2% of the sample may have depressive symptoms and, regarding the Anxiety dimension, 37% of the sample may have anxious symptoms. Statistically significant negative correlations were found between the Depression dimension and Adaptation to the institution, Social Adaptation, Academic Adaptation and Career Development and positive correlations between the Depression dimension and Personal-Emotional Adaptation, since, in this dimension of the QAES, the more the higher the score, the more difficulties the students have. Statistically significant differences were found between genders in the Anxiety and Somatization dimension, with females having higher averages, however, no statistically significant differences were found in the Depression dimension.
Descrição
Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para obtenção do Grau de Mestre em Psicologia Clínica
Palavras-chave
Sintomatologia Depressiva , Ansiedade
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