Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10348/16
Title: Tumores mamários da cadela: estudo de factores biológicos (ciclooxigenases 1 e 2; prolactina; hormona do crescimento; Factor I de Crescimento tipo insulina) e da sua implicação clínica e prognóstica
Authors: Queiroga, Felisbina Luísa Pereira Guedes
Advisor: Lopes,Carlos da Silva
Keywords: Cadela
Neoplasias das mamas animais
Factores biológicos
Cuidados de saúde
Diagnóstico
Profilaxia
Issue Date: 2005
Abstract: Os tumores mamários são a neoplasia mais frequente que afecta cadelas adultas. O seu diagnóstico é dificultado pela grande diversidade a nível clínico e histológico. O comportamento tumoral é muitas vezes imprevisível, devido à não existência de um comportamento padrão, associado ao tipo histológico diagnosticado. Os estudos de prognóstico são importantes, pela necessidade em melhorar o conhecimento acerca do valor prognóstico de certas características clinicopatológicas, assim como pela necessidade em investigar novos parâmetros, que possam estar relacionados com a sobrevida livre de doença (SLD) e a sobrevida total (ST). A quimioterapia clássica nem sempre é a melhor opção de tratamento para tumores de mama metastásicos. A procura de novos factores de prognóstico, que possam ser usados como potenciais alvos terapêuticos (e num futuro próximo como potenciais modalidades terapêuticas), é um assunto de extremo interesse. O objectivo fundamental da investigação apresentada nesta tese, foi a aquisição de conhecimento actualizado acerca de alguns aspectos clinicopatológicos clássicos, assim como de novos factores biológicos, potencialmente úteis como alvos terapêuticos. Capítulo 1 – Introdução geral Este capítulo está dividido em dois subcapítulos: - Introdução, com uma revisão actualizada acerca da etiologia e prognóstico dos tumores mamários da cadela. Também se fez a revisão do estado de conhecimento actual acerca das novas variáveis analisadas neste trabalho: Ciclooxigenases (um e dois); Prolactina; Hormona do Crescimento e Factor I de Crescimento Tipo insulina. - Objectivos Capítulo 2 – Expressão imunohistoquímica de Cox-1 e Cox-2 A expressão de Cox-1 e Cox-2 foi avaliada, através de métodos imunohistoquímicos, em 66 lesões mamárias e em 4 amostras de glândula mamária normal, usadas como controlo. A expressão de Cox-1 foi detectada em todas as lesões mamárias (benignas e malignas) e na glândula mamária normal. A expressão de Cox-2 foi detectada em todas as lesões mamárias, excepto nas lesões de hiperplasia ductal. A glândula mamária normal mostrou imunorreactividade focal para a Cox-2 em 2 de 4 casos. A imunoexpressão de Cox-1 foi semelhante entre tumores benignos e malignos (p=0,227). A imunoexpressão de Cox-2 foi significativamente superior nas lesões malignas comparativamente às benignas (p<0,001). O nosso estudo mostra claramente que os tumores malignos apresentam aumento marcado na expressão de Cox-2. A imunoexpressão de Cox-2 foi mais intensa em tumores malignos de tipos histológicos que classicamente exibem comportamento mais agressivo. Na nossa opinião, este facto indica que o uso de anti-inflamatórios não esteróides (principalmente dos inibidores específicos de Cox-2) poderá ser potencialmente benéfico no tratamento desta doença neoplásica. Capítulo 3 – Determinação dos níveis tecidulares de Cox-2 por métodos imunoenzimáticos em tumores mamários caninos: relação com características clínicopatológicas Neste estudo, foram analisados os níveis tecidulares de Cox-2 no homogeneizado de 129 tumores mamários, após recessão cirúrgica. Os tumores pertenciam a 57 cadelas e eram de diferentes tipos histológicos (62 hiperplasias/displasias e tumores benignos; 10 tumores malignos de tipo carcinomas inflamatório (CI) e 57 tumores malignos não CI). Como controlo, foram usadas 13 amostras de glândula mamária normal pertencentes a 8 cadelas de raça Beagle, sem história anterior de doença neoplásica. A determinação de Cox-2 foi realizada com recurso ao Kit comercial (Enzyme Immunometric Assay Kit, Assay Designs, Inc.). A análise estatística foi efectuada com recurso ao programa estatístico SPSS, versão 12.0. Os valores mais elevados de Cox-2 foram detectados no grupo dos CI com uma diferença estatisticamente significativa em relação aos tumores malignos não CI (p<0,001). No grupo de tumores malignos não CI, altos níveis tecidulares de Cox-2 estiveram relacionados com várias características clinicopatológicas indicadoras de malignidade tumoral (elevado ritmo de crescimento (p<0,001); maior tamanho (p=0,003); aderência aos tecidos adjacentes (p=0,002); ulceração cutânea (p=0,009); tipo histológico mais agressivo (p<0,001)). Este estudo demonstra uma associação significativa entre o conteúdo tumoral de Cox-2 e características clinicopatológicas classicamente consideradas como indicadoras de malignidade e de mau prognóstico nos tumores mamários caninos. Os elevados níveis, determinados em tumores malignos de tipo CI, podem indicar um papel especial para a Cox-2 no fenótipo inflamatório e abrem a possibilidade a novas aproximações terapêuticas neste tipo especial de neoplasia mamária na espécie canina. Capítulo 4 - Níveis séricos e tecidulares de prolactina, hormona do crescimento e do factor I de crescimento tipo insulina, em cadelas com tumores de mama: implicações clínicas Neste estudo, foram analisados 91 nódulos mamários pertencentes a 40 cadelas com tumores mamários benignos e malignos. Também foram analisadas 40 amostras de soro obtidas antes da excisão cirúrgica dos tumores. As determinações laboratoriais foram efectuadas com recurso aos testes: Canine Prolactin ELISA Kit (MKVCP 1, Milenia Biotec®); Canine Growth Hormone RIA kit (PGH-46HK, Linco Research, Inc®); IGF-I non extractive Elisa kit (DSL-10-2800). A análise estatística foi realizada com recurso ao programa estatístico SPSS, versão 12.0. Os níveis séricos de prolactina (PRL) foram similares entre animais com tumores malignos e animais com tumores benignos (p=0,54), mas ambos foram significativamente superiores, quando comparados com os níveis séricos dos animais usados como controlo (p=0,01). Os níveis séricos de hormona do crescimento (GH), foram significativamente superiores em animais com tumores malignos comparativamente a animais com tumores benignos (p=0,01). Os níveis séricos do factor I de crescimento tipo insulina (IGF-I) também foram superiores no grupo de animais com tumores malignos em relação ao grupo de animais com tumores benignos, no entanto a diferença não atingiu a significância estatística (p=0,06). Os níveis séricos de GH (p=0,001) e IGF-I (p=0,012) mostraram associação com o estádio clínico da doença neoplásica, no grupo de animais com tumores malignos. No homogeneizado de tecido mamário, os níveis de PRL, GH e IGF-I foram significativamente superiores aos determinados em tumores benignos e na mama normal (p<0,001). No grupo de tumores malignos não CI, observou-se uma associação positiva e significativa entre elevados níveis tecidulares de PRL, GH e IGF-I e características clínicopatológicas classicamente consideradas como indicadoras de malignidade tumoral (elevado ritmo de crescimento, maior tamanho do tumor, aderência aos tecidos adjacentes, presença de ulceração cutânea, tipos histológicos carcinoma sólido e carcinossarcoma). Também observámos uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre os níveis tecidulares de PRL, GH e IGF-I no grupo dos tumores benignos e no grupo de tumores malignos de tipo não CI. Os nossos resultados demonstram, pela primeira vez nos tumores mamários caninos, que a PRL, a GH e o IGF-I podem actuar como factores de crescimento locais, estimulando o desenvolvimento e a progressão neoplásica. Capítulo 5 – Pesquisa de novos factores de prognóstico em cadelas com tumores mamários malignos, através de análise estatística univariada e multivariada Neste estudo, foi efectuado o seguimento clínico de 29 animais com pelo menos um tumor maligno, após excisão cirúrgica dos tumores. O seguimento clínico teve lugar durante 18 meses, tendo sido estabelecido para cada animal a sobrevida livre de doença (SLD) e a sobrevida total (ST). As determinações laboratoriais (Cox-2, PRL, GH e IGF-I) foram realizadas com recurso a técnicas de ELISA ou RIA. A análise estatística, univariada e multivariada, foi realizada com apoio do programa SPSS, versão 12.0. Na análise da Sobrevida livre de doença, as características clinicopatológicas que revelaram associação estatística por análise univariada foram: idade do animal (p=0,037); ritmo de crescimento do tumor (p=0,007); aderência aos tecidos adjacentes (p=0,008); tamanho do tumor (p=0,04); ulceração cutânea (p<0,001), tipo histológico (carcinoma sólido e carcinossarcoma) (p<0,001), estádio clínico (p<0,001); níveis séricos de GH (p<0,001) e níveis tecidulares de Cox-2 (p<0,001); GH (p<0,001) e IGF-I (p<0,001). A análise multivariada revelou o estádio clínico (local versus regional) e o tipo histológico (carcinossarcoma e carcinoma sólido) como as melhores variáveis independentes para predizer a SLD para um primeiro nível de análise. Quando considerámos todas as variáveis para um segundo nível de análise, elevados níveis séricos de IGF-I (≥ 75,5 ng/ml) foram decisivos para estimar a SLD no grupo de animais com tumores de tipo carcinoma sólido e carcinossarcoma. Na análise da Sobrevida total, as características clinicopatológicas que revelaram associação estatística por análise univariada foram: ritmo de crescimento do tumor (p=0,01); aderência aos tecidos adjacentes (p=0,009); tamanho do tumor (p=0,004); ulceração cutânea (p<0,001); tipo histológico (carcinoma sólido e carcinossarcoma), estádio clínico (p<0,001), recorrência local (p=0,002), metástases à distância (p<0,001); níveis séricos de GH (p<0,001) e níveis tecidulares de Cox-2 (p<0,001); PRL (p=0,039); GH (p=0,003) e IGF-I (p=0,001). A análise multivariada revelou o estádio clínico (local versus regional) e o tipo histológico (carcinossarcoma e carcinoma sólido) como as melhores variáveis independentes para predizer a ST para um primeiro nível de análise. Quando considerámos todas as variáveis para um segundo nível de análise, baixos níveis séricos de PRL (≤ 7,54 ng/ml), foram decisivos para estimar a ST no grupo de animais em estádio clínico regional. O presente estudo demonstra que a Cox-2, PRL, GH e IGF-I estão implicados no prognóstico dos tumores mamários malignos da cadela. Capítulo 6 – Discussão global e conclusões Neste capítulo, os aspectos e conclusões mais relevantes, decorrentes dos vários trabalhos experimentais, são apresentados e discutidos.
Description: Tese de Doutoramento em Ciências Veterinárias
URI: http://hdl.handle.net/10348/16
Document Type: Doctoral Thesis
Appears in Collections:OLD - Teses de Doutoramento

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