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Title: Do profano e do sagrado em Miguel Torga: a ascese do jardineiro na criação da flor-verso
Authors: Ferreira, Cláudia Sofia Varela Capela Granjo
Advisor: Gonçalves, Henriqueta Maria de Almeida
Keywords: Torga, Miguel, pseud., 1907-1995
Sagrado
Profano
Símbolos
Mito
Ritos
Identidade
Criação literária
Issue Date: 2015
Abstract: A narrativa, enquanto espelho desfigurado da (própria) existência ‒ especialmente no que respeita a autobiografia, é caminho ou peregrinação poética, no encalço da identidade. A noção da existência de um mundo do texto, na perspetiva de Paul Ricoueur, e de um mundo do símbolo, no dizer de Mircea Eliade, manifestam-se na criação e consequente leitura da narrativa torguiana, na medida em que a palavra é eco de uma identidade ontológica em permanente construção, refletindo a descoberta por via do símbolo velado. Se o símbolo é, nas palavras de Ernst Cassirer, a chave do ser humano, Miguel Torga revalida tal premissa, recriando o mundo e reproduzindo uma identidade-imagem de si próprio enquanto poeta através dos mitos, cujo sopro de vida se deve ao cariz religioso do criador. Tal identidade narrativo-poética assenta, portanto, numa urdidura da ordem do simbólico e do mítico, numa ambivalência sagrado-profana. Processo de simbolização, a poética torguiana, mítica, evoca a compreensão do mundo, do outro e do eu, ou, numa última instância, de Deus, palavra-símbolo do ser em si (cf. Paul Tillich). Assim, a criação é manifestação sagrada e por isso de precedência ritual, ou ainda epifânica, de índole intrínseca e intuitiva, sagrando o mundo e o poeta enquanto ser e construção narrativa. Jardineiro-poeta, na senda da perfetibilidade da viagem, da perfeição ou do absolutum, Miguel Torga extasia-se na convivência e amenização dos contrários, deixando, como legado, o verso trinado como salvação.
Narrative, as a blurry portrait of existence – mainly when it comes to autobiography ‒, is a long and lonely searching path for identity. Paul Ricoeurs’ world of the text concept and the world of symbol mentioned by Mircea Eliade are a true manifest while we read Miguel Torga: words come as an echo of a constant construction of the self and they also reflect ontological discovery thanks to the symbol hide-outs. If the symbol is, according to Ernst Cassirer, the main key to understand being, Miguel Torga claims that argument, for he recreates his world (and ours) and reproduces a portrait-identity as a poet. As a myth, the poet embraces his religiousness and raises his own narrative identity. So, Torga’s narrative is a process through which the poet symbolizes the world, the other, the self and God¸ as an ontological word-symbol (vide Paul Tillich). His creation is, therefore, founder in principio, and his speech is mythical and ritual, though it may also be an intrinsic and intuitive manifestation of creativity ‒ an epiphany. Poet and gardener, wishing for faultless journey, infinite and perfect absolutum, Miguel Torga eases opposites, as a bard of redemptive blooming poems.
Description: Tese de Doutoramento em Estudos Literários, Especialização em Estudos Literários Portugueses
URI: http://hdl.handle.net/10348/4779
Document Type: Doctoral Thesis
Appears in Collections:TD - Teses de Doutoramento

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