Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10348/5534
Título: Avaliação da ingestão e do consumo de alimentos ricos em fósforo em pacientes renais crónicos em hemodiálise e a sua interação com parâmetros bioquímicos
Autor: Gomes, Isabel Maria Correia
Orientador: Barros, Ana Isabel Novo de
Palavras-chave: Alimentos
Consumo
Fósforo
Hemodiálise
Hiperfosfatémia
Proteínas
Ingestão alimentar
Data: 3-Fev-2016
Resumo: A hiperfosfatémia é uma complicação presente nos pacientes em programa regular de hemodiálise, que é reconhecida como um dos alvos clínicos mais importantes e difíceis de tratar nestes pacientes. Não tratada, pode provocar dores ósseas, prurido e agravamento para hiperparatiroidismo secundário. Os dados de estudos observacionais mostram que um nível sérico de fósforo elevado é um fator de risco independente para a mortalidade, e o tratamento com quelantes de fósforo é independentemente associado com uma maior sobrevida. O excesso de fósforo e cálcio sérico conduz a que estes dois elementos se combinem e formem depósitos de fosfato de cálcio no organismo, especialmente a nível vascular, provocando o endurecimento dos tecidos, num processo denominado calcificação vascular que contribui para a morbilidade e mortalidade destes pacientes. Com base nessas evidências, diretrizes de prática clínica recomendam metas específicas para os níveis séricos de fósforo na população em diálise. Avaliar a ingestão de um grupo de pacientes renais crónicos em hemodiálise para quantificar o teor de fósforo na alimentação, e avaliar o consumo alimentar para verificar os alimentos consumidos que mais influenciam os níveis de fósforo plasmático, foram objetivos deste trabalho. O desenho de estudo foi do tipo transversal observacional, tendo sido avaliados 145 pacientes em tratamento de hemodiálise em clínicas privadas, a nível de dados demográficos, pessoais, antropométricos, dados relacionados com a doença renal crónica, bioquímicos e outros dados analíticos destes pacientes durante sete meses (abril a outubro). Aplicaram-se inquéritos alimentares às 24h em três dias distintos (dia sem tratamento dialítico, dia com tratamento dialítico e domingo) e um questionário de frequência alimentar, de forma a verificar a ingestão e o consumo de alimentos ricos neste mineral, respetivamente. Com este trabalho, constatou-se que a maioria dos pacientes se encontravam bem dialisados, mas a média da taxa de catabolismo proteico normalizada (PCRn) encontrou-se abaixo do recomendado, o que indica que a dose adequada de diálise não influenciou a ingestão proteica nestes pacientes. Relativamente aos outros parâmetros avaliados, tais como: fósforo, cálcio, produto fósforo-cálcio e albumina séricos, os pacientes parecem estar devidamente controlados, dado que a média se encontrava dentro dos valores preconizados. Neste trabalho obteve-se uma correlação positiva significativa entre a albumina sérica e Hormona Paratiroidea (PTH) no sexo masculino. Outras correlações de Pearson fortemente significativas, mas de forma inversa, foram entre a média do produto fósforo-cálcio e idade e entre a média do fósforo sérico e a idade no grupo dos homens. Obteve-se, também, correlações de Pearson significativamente positivas entre a média do fósforo sérico e PCRn, a média da PCRn e média do produto fósforo-cálcio, a média da albumina sérica e a média da PCRn e a média da PCRn e média da ureia pré-hemodiálise. No sexo feminino obteve-se correlações inversas entre a média da PCRn e a idade e a média da albumina sérica e idade. Com a aplicação dos inquéritos alimentares concluiu-se que a maioria dos pacientes faziam duas refeições confecionadas (almoço e jantar) nos dias sem tratamento e ao domingo. Nos dias com tratamento a escolha recaía sobre outro tipo de refeições. Nestes dias, a refeição do jantar foi maioritariamente substituída por refeições tipo lanche. Das refeições intercalares a mais consumida foi o pequeno-almoço; a merenda da manhã foi a menos consumida. Através do inquérito alimentar às 24 horas, avaliou-se a ingestão de fósforo. Os pacientes do sexo masculino ingeriram em média alimentos com maior quantidade de fósforo comparativamente com as pacientes do sexo feminino. Com o questionário de frequência alimentar concluiu-se que os alimentos de origem animal mais consumidos foram: peixe gordo e magro, bacalhau, fiambre de porco e carne de vaca cozida/estufada. A clara de ovo também teve um consumo elevado. Dos produtos lácteos, o leite meio gordo foi o mais consumido, seguido do queijo flamengo. Deste grupo de alimentos, os que contêm uma relação fósforo/proteína menor são: clara de ovo, bacalhau, entremeada de porco, frango inteiro, perna de frango e bife de vaca grelhado/frito. Dos cereais e derivados, leguminosas secas e frescas e tubérculos, os mais consumidos foram: arroz, pão branco, massa e batata cozida. Boas opções de consumo são o grão-de-bico e favas, devido à sua menor relação fósforo/proteína. Os produtos alimentares (refrigerantes gaseificados e sem gás) que contêm aditivos de fósforo tiveram um consumo muito reduzido. Assim, recomendamos que os pacientes em programa regular de hemodiálise, sejam ensinados a escolherem os produtos alimentares, principalmente os de origem animal, com uma relação fósforo/proteína reduzida e a limitarem a ingestão de produtos alimentares que contenham aditivos de fósforo. Seria ainda fundamental que o teor de fósforo dos produtos fosse incluído na rotulagem nutricional.
Hyperphosphataemia is common in patients on regular haemodialysis and difficult to control for the patient group. Left untreated, can cause bone pain, itching and aggravation with secondary hyperparathyroidism. The data from observational studies showed that high phosphorus serum levels are an independent risk factor for mortality; treatment with binders is independently associated with increased survival. An excess of phosphorus and serum calcium combines the elements to form deposits in the body, especially at vascular level, with consequent hardening of the tissues. This process of vascular calcification is a major contributor to mortality in haemodialysis patients. Based on this evidence, clinical guidelines recommend targets for serum phosphorus levels in the dialysis population. This study aimed to determine dietary intake in a group of chronic renal failure patients on haemodialysis, estimating phosphorus content in their diet and establishing what foods consumed most influenced the serum phosphorus level. Research design was observational cross-sectional with participation by 145 patients receiving dialysis treatment in private hospitals. Demographic, anthropometric, biochemical and other analytical data was collected over seven months (April to October). Participants were asked to commence 24h food recall on three different days (days without dialysis treatment, day treatment with dialysis and Sunday) alongside a frequency questionnaire to determine general consumption of foods rich in phosphorous content. It was found that although overall delivery of recommended dialysis dose was achieved, the average nPCR was below recommended levels. This suggested that dialysis dose does not affect the protein intake in these patients. Other parameters such as phosphorus, calcium, calcium-phosphorus product and serum albumin, were averaged within the prescribed values. Most patients took phosphate binders and this was independent of gender. In this project we obtained a significant positive correlation between serum albumin and PTH in males. Other strongly significant correlations of Pearson-reversed, were between the average calcium phosphorus product and age and between the average serum phosphorus and age in males. Positive Pearson correlations were significant between serum phosphorus and the nPCR averages, nPCR and phosphorus-calcium product averages, serum albumin and nPCR averages and finally the PCRn and urea pre-haemodialysis averages. In females there were inverse correlation between the average of nPCR and age and the average of serum albumin and age. From the meal frequency questionnaires, most patients cooked two meals (lunch and dinner) on days without treatment and on Sundays. On treatment days the meal plan differed. On those days, was frequently replaced by a snack-type meal. The majority of patients ate breakfast every day but mid-morning snacks were rarely consumed. The 24h food recall helped assess phosphorus intake. Male patients ingested on average more foods with higher phosphorus content, compared to female patients. It was also concluded that animal protein was mostly derived from fish, salt-cod, pork, ham and beef boiled or stewed. Egg whites also had high consumption. The most consumed dairy products were semi-skimmed milk, followed by Flemish cheese. Of the protein choices, egg white, salt-cod, pork belly, chicken leg, and grilled/fried steak were foods with lower phosphorus/protein ratio. The most consumed cereals and derivatives, dried and fresh legumes and tubers were rice, white bread, pasta and baked potato. Chickpeas and beans would have been preferable choices due to lower relative match/protein. Soft drinks both sparkling and still and known to contain phosphorus additives, had low consumption. We therefore recommend that patients on regular hemodialysis program, are taught to choose the food, especially of animal origin, with a match relationship/reduced protein and limit your intake of foods containing phosphorus additives. It would also be essential that the phosphorus content of the products to be included on the nutrition label.
Descrição: Tese de Doutoramento em Ciências Químicas e Biológicas
URI: http://hdl.handle.net/10348/5534
Tipo de Documento: Tese de Doutoramento
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