Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10348/9310
Title: As identidades do homem no discurso da ficção científica: as manipulações da era tecnocientífica e o devir do pós-homem
Authors: Teresinho, Luís Filipe Cunha
Advisor: Oliveira, Anabela Dinis Branco de
Keywords: ficção científica (FC)
tecnociência
mito
mitologia
Issue Date: 5-Apr-2019
Abstract: Ao longo desta tese, analisamos como a ficção científica constrói o seu discurso tendo como referência o Homem e o seu entorno tecnocientífico. Observamos como ele surge retratado face a diferentes desafios e como o próprio género engendra mecanismos simbólico-narrativos para imaginar realidades alternativas, tendo sempre como premissa original, o presente histórico. Para isso, não raras vezes, a ficção científica recorre a mitos e arquétipos para analisar o binómio Homem/tecnociência. Ela é devedora da mitologia, na qual procura motivos, figuras e mitemas para tornar o seu discurso mais alegórico e profícuo. Notamos como perdura uma relação próxima entre a mitologia e a ficção científica, sendo capaz de reconceptualizar e reatualizar os velhos mitos e arquétipos da antiguidade, assim como criar novos mitos. No decurso deste estudo recorremos a documentos literários e fílmicos incontornáveis na história do género, de modo a decompor como o ser humano é retratado em diferentes cenários. Assinalamos como a proposição do super-homem de Friedrich Nietzsche teve um grande impacto na ficção científica, ao ambicionar que o ser humano se liberte dos grilhões da natureza e de Deus, assumindo o destino com as suas próprias mãos. Os desenvolvimentos na área da engenharia genética, como a introdução da técnica da clonagem ou a seleção criteriosa do ADN abrem caminho à criação de uma raça superior de humanos mais apta, forte e inteligente. O sonho de Nietzsche parece estar mais próximo. O mesmo é dizer mediante a integração do ser humano e dos últimos progressos em robótica, em computação, nanotecnologia e na emergência de novos dispositivos de Inteligência Artificial. A ficção científica vai ao encontro da tecnociência na projeção de uma nova estirpe humana, super-inteligente, o Homem 2.0., ou do pós-Homem que, abandonando o seu corpo efémero, poderá viver para sempre num ambiente virtual, alcançando a transcendência. Porém, este admirável mundo novo encerra muitas questões, não só em termos técnicos, mas, sobretudo ao nível da ética. A promessa de um futuro auspicioso para a humanidade esbarra nas pretensões das elites em se tornarem cada vez mais poderosas e sujeitarem os seus concidadãos à miséria. O género alude ao perigo da tecnociência levar a humanidade para o abismo, ao reforçar ainda mais as desigualdades sociais existentes entre as elites e o povo. Esta noção alcança uma nova matriz à luz do género utópico com o qual a ficção científica revela uma forte cumplicidade e ligação. A tecnociência aspira a tornar-se o novo messias do novo mundo, mas com graves custos para a humanidade. Escritores e cineastas denunciam o lado negro do progresso tecnocientífico, ao vislumbrarem no surgimento de armas de destruição massiva, no surgimento de meios de vigilância e de controlo, além de governos e ideologias tirânicas um futuro sombrio para a humanidade que poderá desencadear o apocalipse civilizacional do Homem.
Throughout this study we analise the way science fiction elaborates its discourse regarding Man and technoscientific context as reference points. We take into account how Man facing different trials is depicted through the lens of science fiction, which engenders through symbolic and narrative stylistic devices alternative realities, always taking the historical present as a guide. Science fiction very often invokes myths and archetypes in order to scrutinise the pairing of terms Man/technoscience. The gender borrows from mythology symbols, characters or mythemes, therefore attaining an allegorical and wider fulfilling idiom. It seems undeniable a strong bond between mythology and science fiction. In the course of this essay we focus our attention to both literary and cinematic documents that are milestones of science fiction in order to explore the way Man is depicted in different scenarios. We notice how Friedrich Nietzsche’s superman concept had a great impact on the genre. Nietzsche’s Man seeks to free himself from the shackles of both nature and God, taking absolute control of his fate. The recent developments in the field of genetic engineering, such as the cloning technique or the careful selection of DNA foretells the creation of a superior human race more intelligent, strong and capable than its predecessor. The latest advances in robotics, computing, nanotechnology and the emergence of new Artificial Intelligence devices portray a future symbiosis between man and machine. Nietzsche’s dream seems to be closer than ever. Science fiction meets the expectations of technoscience when it projects a new, super-intelligent human race, the Man 2.0, or the posthuman who leaves his ephemeral body behind so he can live forever in a virtual environment, reaching a level of transcendence. Nonetheless, this brave new world contains many difficulties and drawbacks, not only in technical terms, but above all, it raises ethical questions. The guarantee of a promising future for mankind faces the pretensions of the elite. This elite hopes to become more powerful and overcome their fellow citizens, leaving them in a complete state of wretchedness. Science fiction alludes to the danger of technoscience leading humanity to the abyss. Indeed, an elite-focused engagement policy may reinforce social inequalities between the elite and the masses. This belief reaches a new paradigm in light of the utopian genre with which science fiction reveals a strong connection. Technoscience aims to convert itself in the new messiah of the new world, but at huge cost to mankind. Writers and filmmakers denounce the dark side of technoscientific progress as they envision the emergence of weapons of mass destruction, means of surveillance and control, as well as the rise of governments and despotic ideologies. They picture a bleak future for human civilization that could lead to an apocalyptic annihilation of Mankind.
Description: Tese de Doutoramento em Estudos Literários: Estudos Literários Comparados
URI: http://hdl.handle.net/10348/9310
Document Type: Doctoral Thesis
Appears in Collections:DLAC - Teses de Doutoramento
TD - Teses de Doutoramento

Files in This Item:
File Description SizeFormat 
Luís Filipe Cunha Teresinho.pdf
  Until 2020-04-06
3,45 MBAdobe PDFView/Open Request a copy


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex mendeley Endnote Logotipo do DeGóis Logotipo do Orcid 

Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.