Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10348/5549
Título: Paisagens e técnicas distintas, motivos semelhantes. A dispersão da arte-rupestre no Rio Tocantins, o caso de Palmas e Lajeado – TO, Brasil
Autor: Braga, Ariana Silva
Orientador: Abreu, Maria Emília Pereira Simões de
Bueno, Lucas de Melo Reis
Palavras-chave: Arte rupestre
Brasil
Gravuras
Pinturas
Paisagem
Arqueologia
Data: 2015
Resumo: Esta tese teve como finalidade o estudo das manifestações de arte rupestre gravadas e pintadas do Complexo do Lajeado, área delimitada para esta investigação. Esta área compreende geograficamente os municípios de Palmas e Lajeado, no Estado do Tocantins, Brasil e inclui duas feições geomorfológicas: a Depressão do Tocantins e o Planalto Residual o Tocantins. No Complexo do Lajeado são atualmente conhecidos 30 sítios de arte rupestre cinco deles inéditos. Todos estes sítios estão aqui apresentados e descritos, contudo foram eleitos como estudos de caso dois sítios sendo um sítio de cada uma das unidades geomorfológicas referidas. Então, foi estudado o sitio Foz do Lajeado, com 16 rochas gravadas inéditas, na confluência do rio Lajeado e Tocantins na Depressão do Tocantins e o sítio, já conhecido, Vão Grande, na Serra do Lajeado no Planalto Residual do Tocantins. A analise de ambas as áreas inclui comparação com todo os demais sítios conhecido no Complexo do Lajedo. A aplicação de conceitos provenientes da Arqueologia Rupestre e Arqueologia da Paisagem teve em conta a relação entre a arte rupestre o contexto arqueológico e a sua disposição no território. Quanto a Arqueologia Rupestre analisamos a relação da arte rupestre com os demais vestígios arqueológicos, líticos e cerâmicos, a fim de contextualiza-la no espaço e no tempo. Com quinze datações relacionadas a sítios com arte rupestre nesta zona, podemos inferir que a pelo menos oito mil anos era conhecida a técnica de gravura nesta região. Contudo, há certos motivos que comparados com dados etnográficos e confrontados com evidencias arqueológicas nos remete a uma realidade mais recente já em contexto ceramista de aproximadamente dois mil anos até trezentos anos. Ainda como critério da Arqueologia Rupestre elaboramos os levantamentos totais dos sítios, sem a segregação e eleição de elementos para análise, logo temos os sítios descritos e compreendidos por completo. No quesito Arqueologia da Paisagem buscamos identificar cada sítio e sua implantação na paisagem, com análises da paisagem interna do sítios, micro escala, sua proveniência geomorfológica, meso escala, e por último as relações estabelecidas entre sítios em paisagem diferentes, macro escala. Entretanto, foi bastante limitador os trabalhos em Arqueologia da Paisagem nesta área já que esta foi afetada por uma grande barragem, UHELajeado, alagando parte de uma área que contava com dezenas de rochas gravadas, que muito contribuiria para o esclarecimento de certos pontos aqui tratados. As análises rupestres e paisagísticas resultaram em dinâmicas, nunca antes notadas. Por isto iniciamos uma série de análises petrográficas e químicas a fim de melhor compreender a relação entre os sítios e suas características geológicas e geomorfológicas resultando ainda na compreensão de dinâmicas de conservação da arte rupestre gravada e pintada. As análises petrográficas resultaram em um maior conhecimento do suporte rochoso, dando mais abrangência com relação as afinidades do suporte ao resultado das gravuras e a conservação no caso das pinturas e gravuras. Contudo foi no estudo das gravuras que esta análise nos deu maiores informações, já que constatamos quesitos importantes no ato de gravar. Estes quesitos são a resistência, textura e coloração. A resistência da rocha ao picoteamento e a textura deu-nos duas maneiras diferentes de empreender as gravuras, mesmo que com técnica igual, sendo estilos bem distintos resultantes e/ou condicionado destas diferenças do suporte, decorrente da sua origem, geologia. A coloração interna da rocha é diferente da cor atualmente visível no exterior da rocha e no interior dos picoteamento, assim sendo estas gravuras eram mais visíveis por ter uma pátina semelhante a do interior da rocha, ampliando o seu raio de visualização, tornando-as muito mais visíveis que atualmente, ampliando a escala de interação com a paisagem e demais rochas. A analise dos pigmentos levou a identificação dos seus principais componentes e abre uma janela bastante relevante no debate estilístico da arte rupestre pintada, já que notamos algumas transformações pontuais dos pigmentos, que podem ser provenientes de transformações físico-químicas no decorrer do tempo de exposição às intempéries e não somente de escolhas estilísticas e técnicas dos autores. Em fim, com tantas novas hipóteses geradas por este primeiro estudo, temos aqui uma base de trabalho que poderá ser útil para a continuidade das investigações rupestres no Complexo do Lajeado e Tocantins, em geral.
This thesis aims to study rock-art manifestations–paintings and engravings–in the Lajeado Complex, area delimited for this research. This area encompasses in geographic terms the municipalities of Palmas and Lajeado, in the State of Tocantins, Brazil and geomorphological terms two units: the Tocantins Depression and the Residual Plateau of Tocantins. The Lajeado Complex 30 rock-art sites are currently known, five of them unpublished. All of these sites are here presented and described, among these two were selected as case studies, one site in each of the geomorphological units mentioned above: the Foz do Lajeado site with 16 unpublished engraved rocks, confluence of the Lajeado and Tocantins Rive in the Tocantins Depression and the already known Vão Grande site, in the Serra do Lajeado in the Residual Plateau of Tocantins. The analysis of both sites includes comparisons with the remaining known sites in the Lajeado Complex. The application of concepts from Rupestrian Archaeology and Landscape Archaeology took in account the relationship between rock art, archaeological context and its place in the landscape. In terms of Rupestrian Archaeology we analysed the relationship of the rock-art with the other archaeological remains, lithics and ceramics, with the aim of contextualizing it in space and time. Based on fifteen datings associated with rock-art sites in the area, we can infer that the technique to do engravings already exists in the region at least since 8000 years before present. When some of the motifs are compared to ethnographic and archaeological data, these are similar to those found in the ceramic tradition context, spanning from 2000 to 300 years before present. Still within the Rupestrian Archaeology approach we elaborated full recordings of the sites, without selecting elements for analysis and therefore these sites are fully described and understood. Within the Landscape Archaeology approach we identified were each site is placed in the landscape by analysing at the microscale the spatial arrangement within sites, at mesoscale the geomorphological characterization of sites and at macroscale the relationships established between sites in the different landscapes. Fieldwork based on this approach was limited by the fact that the area has were engraved rocks exist has been partly flooded by a large hydroelectric dam, UHE-Lajeado, which could have contributed to a better understanding of the subjects dealt with. Rupestrian and landscape analysis provided insights, never before noticed. Because of this, a series of petrographic and chemical analysis were made with the aim of better understanding the relationship between the sites and their geological and geomorphological characteristics and additionally this allowed to understand the conservation issues of rock-art engravings and painting The petrographic analysis resulted in better understanding of the correlation between the use of the rock surface and conservation of engravings and paintings which supports the idea that these have affinities. This analysis resulted in more information about engraving which allowed us to identify important aspects about the act of engraving. The resistance of the rock to pecking and the texture, allowed us to identify that the same technique results in two distinct styles due to the differences in the rock surface. The internal colour of the rock is different from the patina of the surface and that of the engravings, therefore these engravings were much more noticeable when they were made since they would have had the same colour as the rock interior. This widened the distance at which these could be seen and therefore widened the scale of interaction with landscape and amongst the rocks. The chemical analysis of pigment identified the main components and opens a very important window in the stylistic debate of rock-art paintings, since we observed that some of physical-chemical changes in the pigments are due to the exposure to natural agents through time and not only due to technical and stylistic choices of the painters. In the end, the wide range of hypothesises and results of this initial study provides the basis for future rock-art research in the Lajeado Complex and Tocantins in general.
Descrição: Tese de Doutoramento em Quaternário, Materiais e Culturas
URI: http://hdl.handle.net/10348/5549
Tipo de Documento: Tese de Doutoramento
Aparece nas colecções:TD - Teses de Doutoramento

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